2026 06 4
As autoridades dos EUA vêm ampliando seu foco em casos de corrupção, atividades associadas ao crime organizado e movimentações financeiras suspeitas com conexão à América Latina, sinalizando uma postura mais assertiva e expansiva em investigações transnacionais.
Desdobramentos recentes no México – incluindo a denúncia criminal de um governador em exercício, o aumento de revogações de vistos e um escrutínio mais rigoroso sobre instituições financeiras – evidenciam a disposição das autoridades de investigar não apenas agentes públicos de alto escalão, mas também empresários, intermediários e qualquer outro indivíduo com quem esses agentes tenham uma relação.
No Brasil, seguindo essa tendência, as autoridades norte-americanas recentemente designaram o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
Outros exemplos relevantes incluem acusações criminais apresentadas contra figuras de destaque na América Latina, como Nicolás Maduro, da Venezuela, e Raúl Castro, de Cuba. Estes ilustram a disposição do governo norte-americano de direcionar medidas de persecução inclusive contra líderes dos governos na região.
Esse cenário decorre, em parte, da crescente cooperação entre autoridades norte-americanas e órgãos de investigações locais na apuração de esquemas de corrupção e ilícitos financeiros que, direta ou indiretamente, envolvem o sistema financeiro dos Estados Unidos.
Em conjunto, esse cenário aponta para um ambiente de risco mais abrangente para pessoas politicamente expostas, empresários, executivos e indivíduos que atuam em setores regulados ou com forte interação com o Estado, os quais podem se tornar alvo de escrutínio por parte das autoridades norte-americanas.
Nesse contexto, aqueles eventualmente expostos devem adotar uma abordagem proativa, preventiva e estratégica para identificar e gerenciar esses riscos resultantes da constante evolução das prioridades regulatórias e políticas dos Estados Unidos. Essas medidas incluem:
Em razão da constante transformação das prioridades políticas dos EUA na América Latina e à medida que as autoridades norte-americanas ampliam o alcance e os instrumentos de atuação em investigações transnacionais na região, os riscos passam a se estender para diferentes jurisdições, como Brasil, México, Colômbia e Venezuela, fazendo com que indivíduos e empresas potencialmente expostos nessas localidades avaliem de forma proativa sua posição de risco e possíveis vulnerabilidades. Em muitos casos, uma análise antecipada e bem estruturada pode ser decisiva para mitigar potenciais consequências jurídicas, financeiras e reputacionais.